domingo, 10 de março de 2013

Marília, 10 de março de 2013.

Pseudo L,


Não cabem nos dedos das nossas mãos todos os planos que fizemos. Você consegue se lembrar de pelo menos uma parte deles? Eu consigo. Consigo me lembrar de todos eles. Consigo me lembrar de tudo que falamos, planejamos, ou porque brigamos no decorrer desse ano. Lembro que quando começamos a conversar, você me disse que tinha umas pessoas chatas te enchendo, e eu disse que te protegeria. Talvez você tenha ido com a minha cara logo ali, naqueles recados gigantes, com aqueles conversas bestas. Eu te disse que meu coração estava em greve, pode se lembrar disso? E não era atoa. Eu tava cansada das mentiras e enganações desse mundo de sentimentos. O plano era não me apaixonar por ninguém, nunca mais. E quem dera eu tivesse conseguido, não é? Logo a gente tava tão próximo, que todos os meus passos passaram a ser do seu conhecimento - assim como os seus. Eu sabia de tudo o que você fazia. Seu nome, nome das pessoas da sua família. Até o nome do seu cunhado. Sabia muitas coisas. Sabia de você, e isso sempre me fez bem, porque eu me sentia importante, me sentia como parte da sua família. Me sentia perto de um dia termos a nossa. Me lembro de quando você se declarou. Eu fiquei assustada, mas fiquei feliz, sabe? E isso foi a confirmação que eu precisava pra assumir aquilo que meu coração estava me dizendo há tempos. E quando brigamos, fiz o que você me pediu com a maior força que consegui arrecadar. Não foi fácil ficar sem falar contigo. Não foi fácil ler todas aquelas coisas, vindas de você. E se eu fraquejei no seu aniversário, foi porque eu não quis massacrar meu coração. Mais do que já estava… Quando finalmente voltamos a nos falar, eu percebi que deveria, de fato, ter deixado meu coração adormecido. Depois do dia 23 de julho, tudo o que tinha dentro de mim queimou outra vez, e percebi que eu mantinha ali um sentimento que não poderia controlar. Sentia que ele seria forte o suficiente pra derrubar qualquer barreira. Nada poderia controlá-lo, porque ele consumia meu coração com a força do fogo. E, eu realmente não pude controlar… Casamento, três, quatro, cinco, seis. Sete filhos. Uma vida toda ao teu lado. Foi o meu maior desejo, eu que não costumo querer demais, comecei a insistir pra Deus me dar isso. E quando as coisas entre nós ficavam difíceis, eu pedia pra Ele estar no seu caminho. Todo dia. Te protegendo, te dando uma luz. Tinha dias que minha preocupação me deixava louca. Aliás, acho que tudo isso me deixou ruim da cabeça, sabe? E eu não estou brincando… Era pra ser saudável, não era? Era pra ter dado certo. Lembra daquele sentimento que eu não poderia controlar? Amor é o nome dele. E eu disse que ele destruiria qualquer barreira. Acho que eu sou a barreira, porque estou destruída. Aquele fogo me consumiu. Agora sou só as cinzas, e infelizmente eu não acredito que sou uma fênix. Não vou renascer do nada, brilhante e nova em folha. Eu conheço todos os nossos planos e pensei que te conhecia. Pensei que sabia dos seus passos, seus gostos, seu jeito. Pensei que conhecia seu sentimento. Pensei que fazia parte da sua vida, dos seus planos. Pensei que era importante.
Não de dói essa revelação, porque no fim das contas, eu te amei sem te conhecer. Eu te amei pelo que você sempre foi comigo. Eu te amei com todas as diferenças, com os problemas, com as dificuldades. Eu te amei pelo que você sempre foi por dentro. Me dói pensar que talvez, isso que amei - e amo, não vou mentir, não existe. Não o "L", o estudante de direito convencido e sem vergonha. Mas aquela pessoa que dizia que me amava. Que fez planos comigo e me fez chorar de alegria e tristeza tantas vezes. Por que você não me contou? Você não percebe que nossa história teria dado certo, se não houvesse mentira? Quem é você, no fim das contas? É aquela pessoa que eu amo, de fato? Ou todas as palavras e sentimentos eram só mais uma história? Eu não estou brava. Só estou triste. Porque as coisas que senti não foram brincadeira, e eu não senti isso por ninguém antes. Tanto as coisas boas, quanto ruins. Eu te disse tantas vezes que eu confiava em você. Eu deixei tantas opiniões de lado pra ficar contigo. Eu briguei com pessoas que amo pra estar contigo. Por que você não me contou? Você tem alguma explicação pra tudo isso? Talvez eu esteja enganada, não é? E eu peço, POR FAVOR, por tudo que é mais sagrado, mesmo que as verdades sejam terríveis, eu quero elas. Não posso aguentar mais histórias. Elas estão me destruindo.
 

Espero que fique bem.
Jéssica A.

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